Sem trilhos, olhares sem brilho

Atualizado: 1 de mai.

Poesia de Gilson Jesus Vieira


Seu governador muita gente chorou,

Em 15 de fevereiro de 2021 quando o trem parou.

Pra levar e trazer o pessoal,

Não teve mais trem, nem grana pra pagar o BUZU.


Ficamos sem trabalho, fomos andando a pé,

Como o secretário nos mandou,

No Sol quente ou na chuva,

Tirar caranguejo na lama do mangue de aratu.


Pra quem ainda pode pagar ônibus,

Tá mais lotado do que antes, é uma agonia,

Muito desespero e muita aglomeração,

O vírus tá aumentando nessa pandemia.


As dificuldades estão mais cruéis,

Demoliram as estações e não tem mais trilho,

Não tem emprego, o trem tá fazendo falta danada,

Nossa região sem a ferrovia, perdeu o coração e até brilho.


Também não brilha mais,

Os olhos dos pais e mães de família,

Que pegavam o trem pra se “virar”,

Nas feiras, no porto das sardinhas,

Traziam o pão de cada dia para a fome aliviar.


Disseram que o vinha pra nós era o VLT,

Mas esse pessoal, sem coração nos enganou,

O trem podia rodar junto, sem destruição.

Mas é monotrilho, com guia feia de concreto no alto,

E roda de pneu que estraga logo e causa poluição.