Porque o monotrilho em Salvador

Atualizado: 1 de dez. de 2021

Ai vem as vantagens do novo projeto de implantação do Monotrilho ligando o bairro do Comercio ao Subúrbio Ferroviário. Por Luis Prego

Publicado no Pregopontocom

Qual seriam as opções para melhorar a qualidade do transporte sobre trilhos que atende atualmente de maneira precária a uma pequena parcela (2%) da população da região do subúrbio ferroviário hoje estimada em 600 mil habitantes? A população do Subúrbio Ferroviário, mais os moradores de Ilha de São João, tem o mesmo direito de ter um sistema de transporte com a mesma qualidade do Metrô que opera em outra parte da cidade de Salvador.

Bem... é preciso ficar bem claro que não é VLT, que se entenda de uma vez por todas, que o novo sistema de transportes sobre trilhos proposto para substituir os velhos trens do subúrbio é um MONOTRILHO.

Qual seriam as opções para melhorar a qualidade do transporte sobre trilhos que atende atualmente de maneira precária a uma pequena parcela (2%) da população da região do subúrbio ferroviário hoje estimada em 600 mil habitantes?

Opção pelos Trens

1º) Comprar trens novos seria uma boa opção?.... Comprar apenas trens novos seria o mesmo que usar roupas novas, sem estar tomando banho a um bom tempo. Todo o sistema está desgastado, defasado e teria que passar por uma ampla e grande reforma e uma modernização total, para receber os trens novos com as modernas tecnologias hoje existentes. Um outro problema seria como levar o trem pelas vias urbanas, no trajeto entre Calçada e o Terminal da França no Comércio, segundo propõe o novo projeto.

2º) O sistema de VLT seria uma boa opção, apesar de manter a segregação da via permanente impedindo na maior parte da sua extensão o acesso as praias e ao mar, de maneira mais fácil, das comunidades que moram no seu entorno ou próximas da orla marítima. Além disso nenhuma empresa se propôs a apresentar um projeto de sistema de VLT, na licitação realizada pelo Gov. do Estado aberta aos vários modais sobre trilhos existentes, inclusive um metrô.

O sistema de trens de Salvador opera atualmente com composições já com 70 anos de uso (os Toshibas, Amarelinhos oriundos da Ferrovia Sorocabana) e 60 anos os ACF/GE. O custo de uma reforma, incluindo via permanente, estações de embarque, sub-estações e rede aérea, implantação de sistema moderno de sinalização e controle (essencial para operação segura dos trens e inexistente no atual sistema), CCO, novo pátio de manobras, novo depósito de trens e a compra de novas composições poderiam custar até mais do que o preço de implantação do novo sistema. Manter os atuais trens em serviço, devido a idade e o tempo de uso dos mesmos, que já não dispõe mais de peças de reposição, torna a cada dia mais oneroso a sua operação e manutenção já extremamente deficitária financeiramente e também na prestação de serviço. A falta de peças de reposição para manutenção dos velhos trens, obriga a CTB (Cia de Transportes da Bahia, que administra os trens do subúrbio e a concessão de Metrô) a recorrer a prática do canibalismo, ou seja, retirar peças de uma composição já inoperante por algum tipo de problema técnico, para suprir a reposição de peças danificadas das composições que ainda estão em operação, tudo isso somado a um esforço técnico redobrado da equipe de manutenção. O sistema que já passou pelas extintas ferrovias, Leste Brasileira, RFFSA (Rede Ferroviária Federal S/A) , CBTU (Cia Brasileira de Trens Urbanos) e CTS (Cia de Transportes de Salvador) já vinha sendo sucateado ao longo de décadas, sem que tenha sido realizada uma renovação da frota, a modernização do sistema e dos meios operacionais. O sistema já opera no limite máximo da sua capacidade de vida útil.

Vantagens do Monotrilho

Ai vem as vantagens do novo projeto de implantação do Monotrilho ligando o bairro do Comercio ao Subúrbio Ferroviário e chegando na Ilha de São João no município de Simões Filho na RMS.

Um dos pontos favoráveis do novo sistema é o custo da obra, calculada em R$2.0 bi para os 22km , ou R$90.900 mi o custo do KM/construído. Só para efeito de comparação, a linha 15 Prata do monotrilho de SP (cuja obra ainda se arrasta), em 2016 já tinha o seu custo calculado em R$365 milhões por Km/construído, ou seja, 1 Km construído do Monotrilho de Salvador custará 1/4 desse valor. Está também previsto dentro do projeto a ligação da linha principal do Monotrilho, através de uma 2ª linha saindo de São Joaquim passando pela Via Expressa, com a estação Acesso Norte do sistema metroviário de Salvador.

Uma outra vantagem do Monotrilho, é a quebra do isolamento das praias e do mar da população que mora na borda da orla e no seu entorno, causado pela linha férrea existente, ou pelo sistema de VLT caso o mesmo fosse implantado. O espaço livre, embaixo do vão do Monotrilho, proporcionará um acesso fácil a toda faixa de praia e poderá ser destinado a prática de diversas atividades sociais culturais, esportivas e de laser com a implantação de equipamentos, para as comunidades locais e visitantes.

A população do Subúrbio Ferroviário, calculada em 600 mil habitantes, tem o mesmo direito de ter um sistema de transporte com a mesma qualidade do Metrô que opera em outra parte da cidade saindo do centro e chegando a BR 324 em Pirajá e a Lauro de Freitas na RMS, na direção ao litoral norte. O atual sistema de trens do subúrbio, já transportou nos seus áureos tempos cerca de 80 mil pasgs. por dia, isso a muitas décadas atrás, hoje mal consegue transportar cerca de 12 mil/pasgs. nos dois sentidos, calculando-se uma defasagem na capacidade de atendimento de demanda atual de 138 mil pasgs. dia/transportados, podendo chegar a um numero um pouco maior, considerando os horários de pico.

A Tarifa

Um dos pontos debatidos pelos poucos "resistentes" ao novo sistema, é o custo da tarifa do trem que hj é de R$0,50 e passará para R$4,00, ressaltando que esse é o valor da tarifa cobrada atualmente nos ônibus de Salvador. Acontece que o sistema de transportes por ônibus que atende a toda a região do Subúrbio é tão ruim quanto os atuais trens em operação, com uma péssima prestação de serviço, com ônibus geralmente de péssima qualidade, sempre muito cheios, enfrentando engarrafamentos diários com viagens longas e demoradas. Considerando que o atual sistema de trens atende uma pequena fração da população do subúrbio (cerca de 12 mil pasgs/dia), o que equivale a 2% dos 600 mil habitantes que costumeiramente se deslocam por ônibus e já pagam a tarifa de R$4,00, sendo que passarão a contar com um sistema moderno, seguro com conforto, segurança, rapidez e horários regulados, com intervalos de tempo de viagens reduzidos, além do que poderão contar com uma integração intermodal, certamente terão um ganho incomensurável na qualidade do serviço, o que também impactará de maneira positiva na qualidade de vida de todos os seus usuários.

Quanto aos 2% da população que usa os atuais trens diariamente ,tem dentro desse percentual, uma parcela mais carente que não pode ser desprezada e deve se encontrar uma solução equilibrada que não a exclua do uso do novo sistema.

Por tudo isso qualquer tentativa movida seja por, "interesses de qualquer natureza" colocados acima do "interesse público", de negar aos 600 mil moradores da região do Subúrbio, somando ai os moradores de ilha de São João, o direito de acesso a um sistema de transporte, moderno e eficiente, não parece ser algo justo e recomendável para com essa grande parcela da população da cidade, que também merece ser beneficiada com um novo sistema e uma nova opção de transporte público.