BRT: DESMENTINDO ACM NETO!

Atualizado: 28 de nov. de 2021

Após os vários aumentos de passagem nos últimos anos, a projeção é que por volta de 40% da população se locomove a pé. Por Walter Takemoto Publicado no Salvador Sobre Trilhos

Complementando o post anterior em que mostro as mentiras que o ACM Neto divulga pelas redes sociais no texto "Desmistificando o BRT", vou mostrar as inverdades que produz para tentar enganar a população. Diz o ACM Neto: 1. A CIDADE PRECISA SIM DO BRT

RESPOSTA: No texto o ACM Neto diz que o BRT "irá beneficiar os mais pobres, aqueles que diariamente utilizam ônibus convencional na cidade e demandam um transporte de massa de melhor qualidade". É incrível a falta de vergonha do prefeito. Segundo a pesquisa de Origem e Destino realizada pelo governo do estado em 2012 e divulgada em 2013, em Salvador 35,3% andavam a pé por não ter como arcar com os custos de locomoção e desses 25% declararam ter sofrido acidente ortopédico por conta das precárias condições das calçadas e ruas. Após os vários aumentos de passagem nos últimos anos, a projeção é que por volta de 40% da população se locomove a pé. Se ACM Neto tivesse alguma preocupação com a população pobre da cidade, que tem no transporte coletivo o único meio de locomoção, cumpriria com o que determina a Política Nacional de Mobilidade e a Lei Orgânica do Município, e estabeleceria uma tarifa acessível e que permitisse aos moradores da cidade utilizar ônibus para se locomover. Mais ainda, cumpriria o que constava na licitação e no contrato de concessão das linhas de ônibus, e obrigaria as empresas a colocarem ônibus novos, com ar condicionado, suspensão a ar, piso rebaixado, criaria as faixas exclusivas, e garantiria aos passageiros um transporte de qualidade. A única coisa que o ACM Neto faz cumprir do contrato com as empresas é o reajuste da tarifa anual, que a cada reajuste aumenta o número de pessoas que passam a andar a pé. E o ACM Neto diz que a obra do BRT representará investimento em saneamento básico e melhorias para os moradores da região. ACM Neto chama de investimento em saneamento básico cortar as árvores, tamponar os rios e construir viadutos e elevado. O que vai acontecer na região? Ao abrir suas janelas os moradores verão concreto, carros e ônibus circulando. Fumaça e barulho. E quem mora em Salvador sabe o que aconteceu com o Imbuí após as obras que lá ocorreram. Enchentes. Diz o Neto: Os viadutos e elevados do BRT são necessários. Outra mentira deslavada! No texto o Neto diz que "fosse um VLT ou metrô, modais que seriam mais caros, mais demorados de serem construídos e que causariam um impacto muito maior na cidade do ponto de vista urbano, os viadutos e elevados também seriam necessários". No post anterior já apresentei os estudos que mostram que a médio e longo prazo o VLT tem um custo muito menor do que o BRT. ACM Neto viaja para o exterior e provavelmente só se preocupa com compras e não enxerga como as cidades são administradas e como os sistemas de transporte coletivo são articulados e integrados ao desenvolvimento urbano. O VLT, e se quiser um modal mais barato o VLP, não precisa de vias segregadas, pode transitar nas ruas e avenidas compartilhando espaços com outros veículos, inclusive pode transitar pelo centro histórico, por exemplo. Lisboa que possui características próximas a cidade de Salvador é um bom exemplo, com metrô, trem, bonde, VLT, ascensores e triciclos circulando pela cidade. E ACM Neto chama o BRT dele de modal do futuro, com seus viadutos e elevado, que privilegiam mais os carros que o transporte coletivo. Não só o BRT é ultrapassado, como o projeto (?) do ACM Neto compromete o futuro da cidade. Em várias cidades do mundo os gestores estão substituindo o BRT pelo VLT, utilizando a infraestrutura existente, como nas cidades de: Guadalajara, México: VLT de Guadalajara (Sistema de Trem Eléctrico Urbano, ou SITEUR) aberto ao público em 1989, sendo um sistema de 5,3 km e 7 estações construído em 1974 e operado por ônibus elétricos até 1988 (DOBBS; HENRY, 2003); Dallas, Texas: Dallas Area Rapid Transit (DART) foi operado com um BRT de serviço expresso na linha North Central Expressway (paralela à linha de VLT em construção) que serviu como precursor do VLT de DART, aberto em 2002. No início de 2003, um estudo indicou que a capacidade do sistema foi triplicada com a implantação do novo sistema sobre trilhos (DOBBS; HENRY, 2003); Seattle, Washington: A Downtown Seattle Transit Tunnel (DSTT) funcionava basicamente como um BRT que foi implantado para demontrar a necessidade de um sistema sobre trilhos (DOBBS; HENRY, 2003); Los Angeles, California: O BRT da Wilshire Boulevard MetroRapid, operado pela Los Angeles County Metropolitan Transportation Authority (LACMTA), demonstrou grande absorção de demanda, além desta se apresentar crescente. Isso impulsionou a extensão das linhas férreas da LACMTA no corredor (DOBBS; HENRY, 2003). Ocorre que em Salvador o ACM Neto ao propor um BRT elevado, com viadutos, com duas pistas para carros e uma para o BRT em cada sentido, inviabiliza que no futuro se possa fazer a transição desse modal ultrapassado para um moderno e que não degrade o espaço urbano. Será um elefante branco! O que a população de Salvador precisa é de um sistema de transporte coletivo integrado, com tarifa acessível, com ônibus novos, que circulem em faixas exclusivas, ou seja, que ACM Neto cumpra o que prometeu na licitação. Em outro post continuo a desmentir o ACM Neto!