Situação dos ônibus coletivos pode gerar nova revolta na Bahia, avalia sindicalista

Para Hélio Ferreira, só o aumento de subsídios pode amenizar a realidade, que convive com sucessivos reajustes de combustíveis. por Francis Juliano


Publicado no Bahia Notícias

Foto: Paulo José / Acorda Cidade

Nos últimos dias, cidades como Feira de Santana e Alagoinhas têm registrado protestos no setor de transporte públicos. Nesta quarta-feira (27), cerca de 200 pessoas foram até a garagem da empresa Rosa, em Feira de Santana, e cobraram a volta das quatro linhas que foram retiradas da zona rural.


Dias antes, no sábado (23) rodoviários da outra empresa que opera o serviço na cidade, a São João, pararam as atividades. O grupo reclamava do atraso de salários e só voltou às atividades na segunda-feira (25). Neste mesmo dia, funcionários da Avanço Transportes, empresa contratada de forma emergencial em Alagoinhas, no Agreste baiano, também suspenderam o trabalho. A pauta era também de salários atrasados.

Problemas com a administração do transporte público foram notícia em Vitória da Conquista, Itabuna e Ilhéus. Para Hélio Ferreira, sindicalista rodoviário, os fatos mostram um estado de precarização do serviço, como também o aumento da pressão sobre os usuários. A pandemia agravou os problemas. Para Ferreira, se nada for feito, a situação pode perder o controle.

"Nós temos os trabalhadores que perdem o emprego e tem atraso de salário, e a população que fica prejudicada com o serviço. E aí é que eu vejo que pode acontecer uma revolta como aconteceu em Feira, mas uma revolta generalizada, como a história já nos contou. E hoje o que a gente vê é população excluída, sem acesso e com tarifa cara", relatou ao Bahia Notícias.

Revoltas contra o reajuste de passagens de ônibus marcaram as manifestações populares no estado. A última ocorreu em 2003, a chamada Revolta do Busu. Em 1981 houve o famoso quebra-quebra na gestão de Mário Kertész. Ambas ocorreram em Salvador.

Para Hélio Ferreira, só o aumento de subsídios pode amenizar a realidade, que convive com sucessivos reajustes de combustíveis.

"A tragédia do transporte público já estava anunciada. Com o problema do custo dos insumos, o transporte está se tornado inviável. Hoje, se não tiver um subsídio público vai ficar muito difícil. Eu defendo os trabalhadores, mas a realidade é essa", avaliou.