Projeto que batiza nova rodoviária de Salvador é aprovado por Comissão de deputados

Assembleia Legislativa (AL-BA) aprovou o parecer para batizar a nova Rodoviária de Salvador com o nome do geógrafo Milton Santos. Por Matheus Caldas

Publicado no Aratu On

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa (AL-BA) aprovou o parecer para batizar a nova Rodoviária de Salvador com o nome do geógrafo Milton Santos.

A informação consta na edição desta quarta-feira (24/11) do Diário Oficial do Legislativo. A nova rodoviária soteropolitana está sendo construída na BR-324, mas imediações do bairro de Águas Claras.

O parecer é de autoria do deputado Zé Raimundo (PT), que votou pela aprovação do projeto sugerido por Bira Corôa (PT). O documento é assinado pelo presidente do colegiado, Marcelino Galo (PT).

No parecer, o parlamentar diz que “a decisão da denominação para esse bem público pode ser um meio de se preservar, homenagear e difundir, para além de Salvador e do próprio estado, determinados conteúdos memorialísticos e simbólicos, e, ainda, de correlacionar esses mesmos símbolos com interesses pragmáticos mais diretos e comerciais, como ocorre em alguns logradouros públicos em outros estados”.

Ele, no entanto, pondera, e observa que, por se tratar de uma concessão à iniciativa privada, a empresa que operar o equipamento pode ter direito, por contrato, ao “direito de imagem e o uso de símbolos específicos”.

“Ademais, por certo, outras instâncias políticas legítimas podem ter outras sugestões de nomes também representativos, o que se recomendaria diálogos e entendimento para se chegar a um consenso”, acrescenta.

Os demais deputados presentes acompanharam o relator e votaram pela aprovação do texto. Foram eles: Antonio Henrique Junior (PP), Vitor Bonfim (PL), Luciano Simões Filho (DEM), Euclides Fernandes (PDT) e Paulo Câmara (PSDB)

Nascido em 3 de maio de 1921, em Brotas de Macaúbas, a 580 km de Salvador, Milson Santos foi um dos mais importantes geógrafos do mundo no século XXI. Referência em temas como globalização e discussão sobre o espaço urbano, ele é o único brasileiro a ter vencido, em 1994, o Prêmio Vautrin Lud, o Nobel de Geografia. Ele chegou a ser preso durante a ditadura militar e precisou se exilar durante o período por conta da perseguição do regime.

Embora seja formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), foi realmente na Geografia que ele se destacou. Foi professor da própria instituição baiana, além de ter lecionado nas universidades de São Paulo (USP), de Paris 1 Panthéon-Sorbonne, de Columbia, de Toronto e de Dar es Salaam.

Ele morreu em 2001, aos 75 anos, após apresentar um quadro de insuficiência respiratória aguda.