Pier de R$ 800 mil da Via Naútica está abandonado

Interditado na Ponta de Humaitá, em Monte Serrat, na Cidade Baixa, ele foi pensado dentro do Via Náutica, um projeto de transporte marítimo. Por George Brito


Publicado no jornal A Tarde

Um atracadouro que custou ao governo do Estado R$ 800 mil, em 2000, espera há 11 anos para ter utilidade. A grade de proteção do guarda-corpo quebrada e uma faixa de isolamento evidenciam o abandono. Interditado na Ponta de Humaitá, em Monte Serrat, na Cidade Baixa, ele foi pensado dentro do Via Náutica, um projeto de transporte marítimo que interligaria os bairros costeiros do subúrbio ferroviário à área central, servindo a turistas e à população da península itapagipana.

Só que, após uma década, o projeto permanece sem utilização dentro da Prefeitura de Salvador, embora esteja em um plano estratégico de turismo náutico do governo do Estado para a Baía de Todos-os-Santos. A Secretaria de Transporte e Infraestrutura (Setin), por meio de nota, informou que o “projeto não foi avante, não há dotação de recurso, e não existe previsão de ele ser retomado” (Leia abaixo detalhes do projeto).

Prevista para ter 15 quilômetros de extensão, a hidrovia foi anunciada pelo prefeito João Henrique, em 2008, durante sua campanha de reeleição, como novo modal do sistema de transporte regular urbano, que se articularia aos demais (ônibus, ciclovias, metrôs e trens).

A promessa da Via, no entanto, já vinha da gestão do então prefeito Antônio Imbassahy. “Desenhamos um projeto para oferecer maior acesso à população local e visitantes. Identificou-se pontos de atracação e começamos pela Ponta do Humaitá”, afirmou Imbassahy. Segundo o deputado federal, faltaram recursos. “Não tínhamos dinheiro para tudo”.

Ele responsabiliza o governo de João Henrique pela suspensão da Via Náutica. “Um projeto desses precisa de continuidade e a atual gestão o ignorou”, afirmou. O secretário municipal de Comunicação, Diogo Tavares, rebateu as críticas e disse que Imbassahy não deixou previsão de recursos, nem fez os procedimentos para tocar o projeto.

“Não existia o licenciamento ambiental, houve restrições dos órgãos ambientais e uma proibição do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional) para a construção do píer na Barra que se estendeu a todos os outros”, disse Tavares.

Governador da Bahia em 2000, César Borges afirmou que o Estado deu “o pontapé inicial” bancando a reforma de Humaitá (um total de R$ 2,5 milhões, incluindo a igreja, o parapeito, a calçada e o píer), e a prefeitura se comprometeu a captar os recursos para o resto do projeto.