Pellegrino afirma que VLT do Subúrbio terá 'impacto econômico menor que o divulgado'

Atualizado: 11 de dez. de 2021

De acordo com o secretário da Sedur, boa parte dos usuários do sistema de trens já precisa utilizar outros modais para se locomover na cidade. Por Fernando Valverde


Publicado no A Tarde Online

Foto: Fernando Vivas/GOVBA

A proposta de modernização do transporte coletivo na área do Subúrbio Ferroviário de Salvador, com a implantação do VLT/Monotrilho no lugar do sistema de trens existente, criou um entrave relacionado aos impactos econômicos na região.


De acordo com um levantamento feito pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), cerca de 90% dos usuários do sistema atual, que custa R$ 0,50, não poderão pagar a tarifa do VLT, orçada em R$ 3,70 em equivalência ao sistema metroviário da cidade.


Em entrevista ao programa Isso é Bahia, da rádio A TARDE FM (103.9), o secretário de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia, Nelson Pellegrino, afirmou que o impacto é menor do que o divulgado, já que para se locomover para as áreas centrais da cidade, os passageiros do sistema precisam recorrer a outros modais.


"Temos 600 mil pessoas no Subúrbio Ferroviário e cerca de 200 mil que usam todo dia o sistema de transporte coletivo da cidade. Essas pessoas já pagam R$ 4,20 na tarifa integrada e, hoje, o trem do Subúrbio opera de forma precária. Funciona de hora em hora e não leva as pessoas a seu destino final, que geralmente é localizada nas regiões de comércio, como o Centro e a região do Iguatemi, por serem os grandes setores de serviços da cidade. Então essas pessoas vão até a Calçada e de lá precisam usar usar outros modais. Apenas 15% a 20% usam apenas o trem", afirmou. No levantamento do MP-BA, o número de passageiros que não fazem integração é de 75%.


O novo sistema prevê a ligação do bairro do Comércio à Ilha de São João, no município de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. É previsto que a linha tenha cerca de 20km de extensão, 22 estações e capacidade para transportar cerca de 150 mil usuários por dia. Na fase 2, mais 4 km de extensão serão adicionados para ligar a região do Terminal de São Joaquim com o Terminal do Acesso Norte, o que possibilitará a integração do sistema com o metrô.


"Hoje a população do Subúrbio leva 1h30 para sair de Paripe e chegar até o Iguatemi, em um ônibus sem ar-condicionado. E esse mesmo percurso será feito em 42 minutos até a Acesso Norte, com mais 4 minutos na passagem integrada para se chegar ao Iguatemi", argumentou o secretário.


Paralisação dos trens


Com a paralisação do sistema de trens do Subúrbio Ferroviário programada para o dia 15 de fevereiro, os ônibus integrados ao sistema metroviário serão disponibilizados para que a população possa se locomover. De acordo com Pellegrino, foi feita uma avaliação e pesquisa para saber quais os destinos e linhas mais utilizadas pelos usuários da região.


"Estamos informando sobre a paralisação com uma antecedência de 20 dias para que a população não seja pega de surpresa. Teremos sinalização e placas informativas em vários pontos da cidade para informar quais serão as alternativas de transporte. Os passageiros serão orientados sobre as linhas de ônibus que estão servindo aquela região do Subúrbio e que podem ser utilizadas em substituição ao trem", afirmou.


A paralisação do sistema foi necessária, de acordo com o projeto, para que se inicie a prova de carga da via, fundamental para medir a resistência necessária para que os pilares de sustentação do elevado possam ser fincados no solo da região.


"Começamos com toda a prospecção para que possamos iniciar as obras na via. Fizemos uma série de preparativos, como a identificação de imóveis que serão removidos, por estarem na área onde a via irá passar ou que comprometem a drenagem no espaço que será feito o traçado. O solo dessa região do Subúrbio é de massapê. É um solo muito movediço e de difícil estabilização e nós iniciamos o processo com as provas de estaca e resistência. Então é necessária a paralisação de funcionamento do trem para que possamos começar os trabalhos necessários para essa obra", informou Nelson Pellegrino, que listou ainda outras intervenções urbanas que serão feitas no espaço.


"Onde faremos os trilhos teremos também um parque linear com ciclovias, passeios reformados, ciclofaixas, toda uma requalificação urbanística daquela região", pontuou.


A implantação do VLT é realizada pelo Governo do Estado em parceria com a empresa Metrogreen Skyrail e a obra está prevista para ser concluída no prazo de 24 meses. O investimento para a obra é de cerca de R$ 2,6 bilhões.