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Obra do túnel Nazaré/Comércio tem o apoio de Paulo Ormindo

Com custo de R$ 300 milhões e 825 metros de extensão, via tem gerado polêmica. Por Priscila Dórea


Publicado no A Tarde

Túnel vai conectar o Campo da Pólvora, em Nazaré, ao Taboão, no Comércio - Foto: Olga Leiria | Ag. A TARDE

Com um investimento previsto de R$ 300 milhões, o túnel que deverá conectar o Campo da Pólvora (Nazaré) ao Taboão (Comércio) teve os recursos aprovados pela Câmara Municipal de Salvador (CMS) ontem. O anúncio da obra causou polêmica rapidamente - as pessoas questionam, principalmente, a necessidade da obra e o nível de segurança que o local terá -, e agora a história ganhou mais um capítulo: o professor, arquiteto e articulista de A TARDE, Paulo Ormindo, conta que foi de sua autoria o projeto que serviu de base para a obra do túnel e dá detalhes de como o projeto se tornou o que é hoje.


“O meu intuito é apenas explicar para o público o meu papel nesse projeto, pois foi lá em 2019 que, através de um convênio firmado entre a Prefeitura de Salvador e a Unesco, fui contratado pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) para fazer três relatórios sobre o nosso Centro Histórico, o Projeto 914BRZ4021. Não me restringi à análise dos desastrados projetos do Shopping a Céu Aberto e da expulsão de duas mil famílias de moradores locais. Quis fazer propostas para dissuadir a ideia de que professores universitários só sabem fazer crítica”, explica Paulo Ormindo.


Na época, a FMLF havia contratado uma consultoria paulista ligada à Universidade de São Paulo (USP) para analisar a mobilidade de todo o Centro Antigo da capital baiana, convocando técnicos da Prefeitura, Estado, IPAC-BA e IPHAN para apreciar o relatório. Na ocasião, lembra Ormindo, os consultores buscaram mostrar que só havia uma maneira de resolver o problema: alargar a Avenida Sete e a Baixa dos Sapateiros.


“Fui o único a dizer em bom baianês que eles estavam delirando. Meus relatórios e propostas eram tão pouco convencionais que nem foram discutidos, mas por sorte vazaram. Em que consistia esta proposta exótica? Ela dizia que a única maneira de integrar o Centro Histórico à cidade dinâmica era com vias subterrâneas e aéreas”, afirma Ormindo.


Contrário ao projeto, o antropólogo Roberto Costa Pinho questionou em entrevista à Rádio Metrópole na última terça-feira a real necessidade da obra.


“Estando o Centro Histórico tão abandonado, por que 300 milhões de reais para isso? Esse dinheiro faria do Centro uma coisa completamente nova, dava pra enterrar a fiação toda, fazer um parque histórico no Pelourinho. Realmente não entendo. Como vão conservar esses túneis? Vai ter um esquema de segurança 24h permanente?”, pondera.


Projeto atual


No atual projeto da Prefeitura, a estrutura terá 825 metros de extensão e será construída entre 12 e 50 metros de profundidade. O túnel possibilita o fluxo de até 3 mil pessoas, com escadas rolantes dando acesso às esteiras que irão transportar esses passageiros. Com cada esteira funcionando em uma direção e um espaço no meio para quem preferir caminhar, além de câmeras de segurança que permitirão respostas rápidas dos seguranças que estiverem em uma das três estações do modal.


Em novembro de 2022, Paulo Ormindo foi convidado a comparecer à Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra) por seu titular, Luiz Carlos de Souza, para mais uma vez discutir o projeto.


“Eles haviam contratado uma empresa mineira para avaliar o projeto e queriam mudar a saída do túnel para o pé da Ladeira da Montanha. Eu e a diretora da FMLF, Tânia Scofield, argumentamos que aquele era um ponto muito conflitivo e que seria melhor manter o túnel saindo no eixo da Rua dos Ourives, com o que o secretário aparentemente concordou”, conta o professor.


O titular da Seinfra explica que o motivo do convite partiu da descoberta do importante papel que Ormindo teve na criação do projeto. “O professor Ormindo foi muito importante para criação desse projeto que, vale lembrar, não foi feito do dia para noite. Foi um pouco depois de colocar as mãos no estudo técnico que descobri que ele havia sido um dos consultores contratados anteriormente, então logo o convidei para voltar a analisar alguns pontos e possibilidades”, explica Luiz Carlos de Souza.


Após esse encontro, Paulo Ormindo afirma não ter tido nenhum outro contato com a Seinfra, mas diz se alegrar em saber que eles estão abrindo licitação para desenvolver o projeto executivo do Túnel Campo da Pólvora/Comércio. "É uma obra muito importante para integrar os três níveis da cidade ao transporte de massa e facilitar o acesso ao Centro Histórico", explica.


Proposta original


Em sua proposta original, Paulo Ormindo colocou o túnel do Campo da Pólvora até a Baixa dos Sapateiros, com uma saída no estacionamento em frente à Ladeira de Santana e outra na prumada da antiga delegacia de polícia existente no Cruzeiro de São Francisco. O túnel seguiria então pelo Comércio, saindo em um terreno baldio na Rua Guindaste dos Padres, em frente à Rua dos Ourives.


“O fluxo de pessoas nele seria tão grande, que garantiria sua segurança, mas a obra ainda poderia ser reforçada com pequenos quiosques e licenciamento de músicos ao longo de sua trajetória, como se vê na Europa. Passarelas subterrâneas com esta extensão ligando duas linhas de metrô são comuns em todo o mundo e não são mais inseguras que as ruas”, salienta Ormindo.

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