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Evento debate desativamento de trens após dois anos de suspensão

Especialistas e líderes de movimentos apontam impactos negativos do encerramento do sistema ferroviário.


Publicado no Jornal Massa

O Grupo de Pesquisa de Desenvolvimento, Sociedade e Natureza (DSN), da Universidade Católica do Salvador (Ucsal), promoveu uma roda de conversa nesta terça-feira (4), com o tema: 'A Bahia fora dos trilhos: As consequências de dois anos da desativação do trem do Subúrbio Ferroviário para dar lugar ao controverso Projeto do Monotrilho'. O bate-papo reuniu especialistas e líderes de movimentos pró sistema ferroviário da capital baiana.


O objetivo do encontro foi debater os impactos enfrentados pela população do subúrbio após a suspensão do funcionamento do sistema ferroviário do subúrbio, que aconteceu em fevereiro de 2021, durante um momento delicado da pandemia da Covid-19.


Depois de dois anos, a população ainda se queixa com a suspensão, que deveria dar lugar ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), modelo substituído por um monotrilho. No entanto, as obras do novo modal continuam estagnadas.


O coordenador-geral da Sociedade Nacional do Movimento Trem de Ferro/Ver de Trem, Gilson Jesus Vieira, afirmou que as consequências vão de questões financeiras a engarrafamentos na Suburbana.


"A Suburbana já engarrafava há algum tempo. Sem o trem, os transtornos e as dificuldades das pessoas, que já têm uma sobrevivência difícil, ficou mais difícil ainda. Essa degradação que procuramos entender, mas não aceitamos", disse Gilson.

Para Annemone Santos, moradora do Subúrbio, coordenadora do fórum Catadoras e Catadores de rua e diretora da federação Catabahia, o impacto financeiro e a quantidade de veículos no Porto da Sardinha precisam ser observados.


"Está existindo engarrafamento da ladeira até o final de linha. O ônibus não consegue entrar dentro do final de linha porque o pessoal está vindo para buscar a sardinha, o peixe, porque o peixe gera economia para todo o território, não só para São João do Cabrito, mas também para todo o subúrbio", disse.

O arquiteto Carlos Alberto Querino, especialista em gestão de cidades, avaliou a implementação do monotrilho. "É um absurdo pensar no monotrilho naquele trecho de terreno de massa verde, que foi leito ferroviário. O monotrilho tem um ambiente para ser aplicado, o teleférico tem um ambiente para ser aplicado, mas podemos assegurar que não é, em nenhum momento, em nenhum trecho ferroviário, existente ou eliminado", afirmou.


De acordo com a mediadora da mesa, a Débora Carol Luz da Porciuncula, Mestra e Doutora em Planejamento Territorial e Desenvolvimento pela Católica, o diálogo da comunidade com o Governo do Estado não aconteceu.


"Foi construído um projeto de modernização do trem e esse projeto foi frustrado quando o edital de modernização é adulterado. Isso é algo que foi apreciado pelo Ministério Público. O edital deveria ter sido cancelado, e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) fosse cancelado, porque o VLT, que estava no edital, não se referia ao monotrilho", afirmou a bacharel em geografia.

Antes do encerramento do sistema ferroviário, aproximadamente seis mil pessoas utilizavam o transporte por dia, desembolsando R$ 0,50 por viagem (cada usuário). O modal fazia ligação do subúrbio ao bairro da Calçada, na Cidade Baixa, em 10 estações.

As obras do monotrilho são de responsabilidade da concessionária china Skyfall, em parceria público-privada com o Governo do Estado.

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