'Domingo é Meia' depende de superação da crise no transporte da cidade, diz Semob

Fabrizzio Muller disse que um eventual retorno do “Domingo é Meia” depende da superação da crise enfrentada pelo sistema de transporte público da cidade. Por Gabriel Lopes / Lula Bonfim


Publicado no Bahia Notícias

Foto: Jefferson Peixoto / Secom / PMS

O programa “Domingo é Meia”, lançado pela prefeitura de Salvador em 2013, foi suspenso em março de 2021, em decorrência da pandemia de Covid-19. A gestão municipal alegava que o benefício, que dava meia-passagem no transporte público da cidade aos domingos, incentivava as pessoas a saírem de casa, o que não era indicado naquele momento de restrição de circulação. Agora, em novembro de 2021, o comércio está aberto e o prefeito Bruno Reis (DEM) considera a realização do Carnaval. Por que o “Domingo é Meia” ainda não foi retomado?


De acordo com o secretário municipal de Mobilidade, Fabrizzio Muller, o motivo da não retomada do benefício após a superação da fase mais difícil da pandemia tem a ver com a crise financeira vivida pelo sistema de transporte público de Salvador, que hoje gera prejuízos aos cofres da prefeitura.


O titular da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) ainda disse que um eventual retorno do “Domingo é Meia” depende da superação da crise enfrentada pelo sistema de transporte público da cidade.


“O retorno agora, neste momento, do Domingo é Meia traria uma ampliação desse problema, então optamos por suspender momentaneamente e aguardar que o sistema se restabeleça de forma plena, para que a gente possa eventualmente retornar com o benefício”, definiu o secretário.

FROTA DE ÔNIBUS


Fabrizzio Muller reconheceu, em entrevista ao Bahia Notícias, que o número de ônibus que circulam na cidade hoje é menor do que o que circulava antes da pandemia. De acordo com ele, a diminuição da frota é justificada pela queda do número de passageiros transportados, que ainda não retomou o considerado “normal”.


"Hoje, o que seria 100% antes da pandemia não é 100% agora, porque o público transportado é ainda bem menor do que o transportado antes da pandemia. A gente ainda tem uma quantidade de pessoas menor. Estamos ajustando o número de frota à medida que vai crescendo o número de passageiros. Hoje, a gente tem 1.700 ônibus", contou o titular da Semob.

O secretário ainda falou dos testes com ônibus elétricos em Salvador e da vontade de firmar o modelo na cidade. Entretanto, ele indicou que a implantação não está próxima, especialmente por causa dos custos.


"Os testes foram concluídos. Existe um desejo de começar essa transição para a eletromobilidade. Ainda existem alguns desafios grandes a serem superados. No Brasil, a quantidade de ônibus elétricos é muito pequena. Em São Paulo, para se ter uma ideia, que tem uma frota de 13 mil ônibus, tem 18 elétricos. Ainda é uma tecnologia que impõe desafios nos atuais contratos de concessão. O principal deles evidentemente é o custo de aquisição. É uma tecnologia nova”, justificou.

O sistema complementar, dos ônibus conhecidos como “amarelinhos”, também sofre com a crise financeira do setor de transporte público. Conforme declaração de Fabrizzio Muller, a ideia de uma licitação para a compra de novos veículos está travada no momento, mas tem boas chances de sair no primeiro semestre de 2022.


ESCADAS DA LAPA


As escadas rolantes da Estação da Lapa pararam de funcionar no início de outubro. Após muita reclamação dos usuários, cinco delas foram consertadas e voltaram a transportar passageiros na quinta-feira (18). Fabrizzio garantiu que, até a última sexta (19), pelo menos outras três seriam ligadas pela concessionária Nova Lapa.


“Hoje, a manutenção é integralmente por conta da concessionária. Desde 2014, foi feita a licitação. Cabe à Semob e à prefeitura a fiscalização. No mesmo dia que as escadas pararam, eles [a Nova Lapa] foram notificados e responderam que tinham dificuldades na aquisição de algumas peças. Até o dia 15 do próximo mês, as outras três que faltavam [estarão funcionando]”, previu.