Deputada propõe que Ponte Salvador-Itaparica ganhe nome de heroína negra

Atualizado: Nov 29

Desprezada pelos livros de história, Maria Felipa foi uma mulher negra fundamental na luta pela independência do Brasil na Bahia em 1822. Por Pedro Vilas Boas

Publicado no BNews

A deputada estadual Olívia Santana (PCdoB) propõs à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) que a Ponte Salvador-Itaparica se chame "Maria Felipa de Oliveira – A Heroína Negra da Independência". O projeto de lei foi entregue ontem (10).

Na justificativa para a proposta, Olívia argumenta que é fundamental destacar o papel de pessoas que lutaram a favor da Bahia e Brasil no passado. "Aqui merece destaque o papel singular da heroína negra Maria Felipa de Oliveira que coordenou e enfrentou as tropas colônias portuguesas. Mulher combatente, destemida e exemplo presente até os dias atuais."

No mês passado, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), disse que o município ainda não tinha recebido nenhum comunicado formal do governo do estado sobre a obra. "Tenho o compromisso como prefeito de liberar [as obras] com máximo de brevidade à medida que sejam apresentados os projetos", ressaltou. O governo do estado estima dar início às obras entre o final deste mês e início de dezembro.

A reportagem do BNews entrou em contato com a assessoria de comunicação da prefeitura de Salvador, que informou que a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) ainda recebeu os documentos necessários.

No projeto apresentado à AL-BA, a deputada Olívia Santana afirma que a homenagem foi um pedido da Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN) e outras organizações sociais. "Maria Felipa é uma filha do município de Itaparica, cidade histórica do nosso estado e que deve ser prestigiada pelo papel estratégico para derrota dos colonizadores", diz outro trecho do documento.

Maria Felipa

Desprezada pelos livros de história, Maria Felipa foi uma mulher negra fundamental na luta pela independência do Brasil na Bahia em 1822. Segundo relatos históricos, o grupo liderado por ela foi responsável por queimar 42 embarcações portuguesas.

O grupo liderado por Maria Felipa - que, além de mulheres negras, também contava com índios - teriam chegado a protagonizar uma curiosa surra de cansanção contra os portugueses.