Concessionárias pressionam por reajuste e prefeitura 'reza' por subsídio federal, analisa especialis

Bruno Reis anunciou na manhã desta quinta-feira que a tarifa de ônibus de Salvador será reajustada e passará a custar R$ 4,90.


Publicado no Metro1

O prefeito Bruno Reis (UNIÃO) anunciou na manhã desta quinta-feira (31) que a tarifa de ônibus de Salvador será reajustada e passará a custar R$ 4,90 a partir desta sexta. No entanto, os passageiros vão começar a pagar a diferença apenas em junho, uma vez que a prefeitura vai bancar os R$ 0,50 na esperança que recursos federais subsidiem o restante da passagem depois.

O Metro1 conversou com o doutor em arquitetura e urbanismo Daniel Caribé, coordenador do Observatório da Mobilidade de Salvador, para entender as mudanças no financiamento do transporte coletivo na capital baiana.

Caribé explica que, nos próximos dois meses, não haverá aumento do preço público — aquele que é pago pelos passageiros na catraca —, mas sim da tarifa de remuneração, que é recebida pelas concessionárias.

Para que isso aconteça, a prefeitura de Salvador oferecerá um subsídio de R$ 0,50 por passagem. Segundo o anúncio de Bruno Reis, a intenção é que a partir de junho esse subsídio seja oferecido pelo governo, e não pela gestão municipal. Caso não ocorra o repasse, aí sim o soteropolitano pagará todos os R$ 4,90.

"A Prefeitura já não está tendo condições de subsidiar, mas também não está suportando mais a pressão das concessionárias. Então anunciou esse aumento", diz o coordenador do OBM.

O que o prefeito Bruno Reis espera é a aprovação, por parte do presidente Jair Bolsonaro (PL), de um projeto de lei para que o governo federal pague o referente às passagens dos idosos. Antes, o presidente vetou um PL para o subsídio do transporte coletivo nos municípios.

De acordo com o pesquisador, o que ocorre é um subsídio "por vias tortas".

Desde 2020, quando começou a pandemia da Covid-19, os sistemas de transporte coletivo de todas as capitais e muitas cidades do Brasil entraram em colapso. Para tentar evitar uma perda maior, os prefeitos começaram uma corrida pelo repasse de recursos do governo federal.

No caso de Salvador, o prefeito Bruno Reis (UB) e o ex-prefeito ACM Neto (UB) são vanguarda na pressão pelo subsídio. Em 2020, quando a Concessionária Salvador Norte (CSN) faliu, a prefeitura assumiu a gestão. Mas, segundo Caribé, não de uma forma transparente.

"Passou a injetar recursos de forma indiscriminada, sem transparência, para evitar o colapso. Mas esse número de usuário de antes [da pandemia] nunca voltou", afirma.

O doutor em arquitetura critica ainda a nova tarifa de remuneração. "Não tem estudos, não tem auditoria para saber se de fato é o necessário, se é ou não é suficiente, de onde vai ser tirada essa verba...", explica.

Sobre o repasse federal, Caribé diz que é "um jogo político". "Não acho que ele deu um tiro no escuro. Ele está esperando que isso aconteça, e isso [o anúncio] joga a pressão para o presidente".