BRT vai ligar Iguatemi à Lapa em 15 minutos; edital sai até o final de março

Atualizado: Nov 29

Transporte será via avenidas Vasco da Gama e ACM. Obra vai reduzir viagem de 1 hora para 15 minutos e vai durar 2 anos. Por Clarissa Pacheco


Publicado no Correio*


Quem pega um ônibus na Estação da Lapa com destino ao Iguatemi sabe: um lugar para se sentar é precioso, porque a viagem, embora não seja das mais longas, quase sempre demora. Se for no horário de pico, então... O trajeto consome, pelo menos, uma hora do dia, entre idas e vindas, retornos e, claro, engarrafamento.


Daqui a pouco mais de dois anos essa mesma viagem poderá ser feita em apenas 15 minutos, em ônibus articulados, com ar-condicionado, poltronas confortáveis e que circulam em uma via exclusiva.


É o BRT, da sigla em inglês para Bus Rapid Transit, que em tradução livre significa Trânsito Rápido de Ônibus. Na quinta-feira (12), a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) enviou o processo para dar início à licitação para a Superintendência de Conservação e Obras Públicas (Sucop).


O edital deverá ser lançado até 30 de março. “A ideia é que a licitação seja concluída ainda neste primeiro semestre”, disse o secretário de Mobilidade, Fábio Mota. Cinco construtoras estão pré-qualificadas para tocar a obra: Andrade Gutierrez, OAS, Odebrecht, Camargo Corrêa e Consplan.


A vencedora começará as intervenções no início do segundo semestre. O prazo estipulado pela prefeitura para concluir a construção do corredor, entre a Lapa e a Ligação Iguatemi-Paralela (LIP), é de 24 meses. O trajeto de 8,7 quilômetros passará pelo canteiro central da Vasco da Gama, Rua Lucaia, Juracy Magalhães, Avenida ACM, até chegar ao Iguatemi.


“Este é o projeto de maior relevância em termos de mobilidade que a prefeitura está implantando, não só pelo volume de recursos, mas pela importância no sistema de transporte”, diz o secretário da Casa Civil, Luiz Carreira. O titular da Semob, Fábio Mota, concorda. Para ele, o problema do trânsito naquela região, que concentra o maior fluxo de veículos da cidade, só começará a ser resolvido a partir da implantação do BRT. “O resto é paliativo”, acredita.


Após a conclusão do primeiro trecho, a prefeitura planeja levar o modal a vias alimentadoras. A segunda fase deverá incluir uma ligação entre o Aeroporto e o Iguatemi, via Paralela, e entre o Aeroporto e a Pituba, pela orla, além das avenidas duplicadas – Orlando Gomes, Pinto de Aguiar, 29 de Março (em construção) e Gal Costa, atingindo 40 quilômetros de corredores.


“Mas isso é a longo prazo. Não tem nem projeto elaborado e nem apresentado ainda. Por enquanto, vamos nos concentrar no Lapa-LIP”, diz Carreira. Ano passado, em audiência pública, também foi citado um corredor entre o Iguatemi e o Terminal da França – mas o projeto ainda está em desenvolvimento.


Início


As intervenções começam com a construção de viadutos e elevados na região da Lucaia, na entrada do Parque da Cidade, em frente ao Hiperposto, e na região do Iguatemi, próximo ao Shopping da Bahia. O projeto também prevê vias exclusivas para o BRT, ciclovias, paisagismo, iluminação pública, passeios e nove estações de passageiros.


O corredor, que sai da Estação da Lapa, terá pontos de parada no Dique do Tororó, na altura do Hospital Geral do Estado (HGE), além de Ogunjá, Rio Vermelho, Lucaia, Ceasa, Avenida ACM, Hiperposto e Shopping da Bahia.


Toda a obra de implantação do corredor custará R$ 820 milhões. Destes, R$ 300 vêm do PAC da Mobilidade (verba federal) e outros R$ 520 milhões foram tomados de empréstimo pela prefeitura na Caixa Econômica Federal.


O passageiro poderá optar por dois tipos de viagem: a expressa, que seguirá pelo canteiro central da Vasco da Gama, Lucaia, Juracy Magalhães e ACM, ou então pela linha semiexpressa, em que o ônibus articulado seguirá por uma via exclusiva e fará paradas em nove estações no trecho.


Alívio


De acordo com dados da Semob, 70% da população passa pelo menos duas vezes por dia na região do Iguatemi e da Lapa. Outro dado se refere ao percentual da população que usa o transporte público. “Hoje, você tem 1,3 milhão de pessoas, ou 60% da população, que são transportadas por ônibus em Salvador”, aponta Mota.


Com o sistema operando, vai ser possível retirar de circulação cerca de 100 ônibus que fazem o trecho Lapa-LIP, e vice-versa, e também serão liberadas mais faixas para o transporte particular, desafogando o trânsito. “A função do BRT é melhorar a qualidade do transporte para incentivar as pessoas a deixarem o carro em casa e pegar o transporte público bom, rápido e de qualidade. Hoje não dá”, diz Mota.


Especialistas contestam viadutos


Consultados pelo CORREIO, especialistas em trânsito foram unânimes em dizer que é benéfico o investimento no BRT, mas se mostraram preocupados com a questão dos viadutos. “Toda intervenção que é voltada ao transporte público é bem-vinda. De qualquer forma, vai ser um pequeno alimentador do metrô”, pontua a arquiteta e analista de transporte e trânsito Cristina Aragón.


O engenheiro especialista em trânsito Elmo Felzemburg também é favorável à implantação. “Eu acho que a cidade precisa de BRT, também. Há um atraso de 20 anos na implantação”, diz. Sobre os viadutos, os dois especialistas adotam posicionamento crítico.


Para Cristina, não há necessidade de construir tantos - são 10 viadutos e elevados. Já Felzemburg aponta os problemas com o fechamento dos canais, além da estética. “Do ponto de vista da drenagem da cidade, vamos ter problemas futuros”, diz.