Apresentação do Acervo Mob Ativa - Política Cicloviária

Atualizado: 13 de mar.



Existe um mito que a cidade de Salvador, não é uma cidade pedalável por conta do seu clima e das suas ladeiras. Será?!


Quando passamos pelo Subúrbio Ferroviário, Península Itapagipana, subindo em direção a Orla Atlântica, percebemos que a afirmação anterior é uma falatório descabido.

Sabemos que os fatores climáticos e topográficos não são os motivos mais representativos que distanciam a população, que gostaria de pedalar mais em Salvador de serem usuários mais frequentes da bicicleta em nossa cidade, e sim uma melhor / maior infraestrutura cicloviária, além da segurança no trânsito.

Desde 2013, o poder público municipal começou uma política de investimento na infraestrutura cicloviária, tais como: sistema de bicicletas compartilhadas, ciclovias e ciclofaixas, porém foi perceptível que a implementação desta infraestrutura cicloviária tinha um foco delimitado: regiões da área central e orla atlântica, diante deste direcionamento da gestão pública, fica fácil entender que a estruturação da política cicloviária soteropolitana está focada em atender o turismo / lazer da nossa cidade e a população que utiliza a bicicleta como forma de se deslocar para economizar o valor da tarifa do transporte coletivo como fica?

No decorrer destes anos até o momento atual, a quantidade de usuários da bicicleta aumentou, seja para deslocamento ou esporte e lazer, pois sabemos que a implementação de ciclovias e ciclofaixas, desperta a demanda reprimida existente. Porém, vale salientar que a malha cicloviária da cidade não é conectada e tem muitos lugares que foi implementada de forma insegura onde coloca em risco os próprios ciclistas da região, tal como é o caso da ciclovia na Av. Suburbana, uma das maiores da cidade (12 km de extensão) e situada de forma desconectada com outras infraestruturas cicloviárias daquela região.

São mais de 280 km de ciclovias e ciclofaixas espalhados por Salvador, mais de 40 estações de bicicletas compartilhadas, que facilita o acesso a quem não possui uma bicicleta própria, bicicletários públicos em diversas estações de metrô da linha 2. É possivel também utilizar o sistema de ascensores (Elevador Lacerda, Plano Inclinado Gonçalves, Plano Inclinado do Pilar, Plano Inclinado da Liberdade) , lanchinhas da travessia Salvador - Mar Grande e em alguns horários especificos diariamente no metrô, embarcar de posse com a bicicleta de forma gratuita, favorecendo a intermodalidade com a bicicleta. Há muito o que ser feito para a melhoria da infraestrutura cicloviária, a fim de garantir a segurança e a mobilidade dos ciclistas (ciclomobilidade). A lei garante a/o ciclista, por exemplo, o direito de usar as pistas para se locomover nos seus bordos. Ou seja: é dever do motorista respeitar e compartilhar as vias com os/as usuários de bicicletas.


Logo, como influência deste cenário inconsistente, a sociedade civil organizada se mobiliza para cobrar e acompanhar do poder público local, que mais recursos e atenção sejam designados a este modal. Desde 2010, acontece movimentações como Bicicletada Salvador Massa Crítica, que é um pedal manifesto que acontece na última sexta de cada mês, com o propósito de sensibilizar o público para o compartilhamento das vias de forma responsável e respeitosa por motoristas para os / as ciclistas. Outros movimentos surgiram posterioremente evidenciando a forma pontual e o planejamento escasso e incipiente que o poder público dedica a bicicleta em Salvador.


A proposta deste acervo é elencar informações das mais variadas frentes para montarmos um memorial da bicicleta, tanto em termos de política pública da mobilidade urbana e acesso à cidade, quanto em iniciativas de boas práticas realizadas pela sociedade civil organizada. Já que acreditamos que esta pode ser uma boa forma de pautar a participação social.

Bicicletada Massa Crítica de Salvador, Mobicidade Salvador, Bike Anjo Salvador, La Frida Bike, Parceiros da Alegria e Giro Livre são coletivos e organizações que surgiram desde 2011 e trouxeram relevância para a pauta da bicicleta, que era tão invisibilizada pelo poder público como meio de transporte.


Topa pedalar com a gente?

Erica Telles Coordenadora do Acervo Mobilidade Ativa - Política Cicloviária



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